Esclarecimento para a comunidade Bahá’i- Parte I

O texto abaixo é de um e-mail recebido questionando esse blog que será respondido em breve. Obs.: Por um compromisso ético e de respeito achei melhor não revelar a identidade do leitor.

“Olá!

Agradeço pela sua resposta tão cortês.

Sou baha’i há pouco tempo, antes fui cristão e sempre estudei a Bíblia (ainda a estudo) com muito fervor.

O apocalipse é um livro bastante complicado de se ler. Eu não sei quantas interpretações diferentes já ouvi sobre o capítulo 13. Eu, particularmente, acreditava que as bestas do mar e da terra representavam a América e o Vaticano, o que me parece agora algo absurdo. A verdade é que as pessoas interpretam o apocalipse segundo as suas próprias vaidades, de modo a exarar aquilo que atesta o credo de sua própria religião. Nada é claro nesse livro, tudo é passível de interpretações.

Resolvi te escrever porque faço parte de uma pequena comunidade baha’i aqui na minha cidade. Estive conversando com alguns amigos de fé sobre o seu blog, e nós simplesmente não entendemos o porquê de você escrever tais coisas sobre nós. Sempre que nos reunimos, discutimos sobre como podemos ser pessoas melhores, e como podemos fazer do mundo um lugar melhor para todas as pessoas. Cremos que só há um Deus, que é pai de toda a humanidade, e esteve com cada um de seus povos, desde sempre. Cremos que Deus é tão grande e maravilhoso, que sua natureza não poderia nunca ser sintetizada pelos ensinos de uma só cultura, um só povo, um só livro. Cremos que Deus enviou seus mensageiros, seus professores à Terra onde e quando eles mais eram necessitados, e que todos eles são manifestantes genuínos de Deus.

Sobre o esperanto…

Me lembro de ter lido em um comentário bíblico, que décadas após a morte de Noah, sua família havia se divido em alguns clãs. De um lado, estavam os descendentes de Sem e Jafté, que permaneceram fieis às recomendações de seus pais e continuaram a viver na senda de Deus. Os descendentes de Cam cairam no vício, no ateísmo e no materialismo. Decidiram se separar, e naquele ponto os filhos separados decidiram construir um monumento, que assim como qualquer outro, teria como função demonstrar o poder de seus construtores, contrariando à ordem “Ide, povoai a terra…”. Deus então decide confundir suas línguas. A confusão impediu a continuação da obra, e cada homem se juntou àqueles a que podia compreender. A vontade de Deus se cumpriu, os homens se dividiram, o mundo foi completamente povoado, a humanidade se tornou extremamente diversa, e a cada povo Deus revelou uma de suas faces. Agora tudo é diferente. A união da humanidade é uma questão de sobrevivência. O inglês já é a língua universal, mas além de ser difícil, é uma língua imposta pela potência que hoje controla todo o mundo, assim como o latim foi na Idade Média. Acreditamos que o mundo necessita de um idioma neutro, simples, que una as pessoas e facilite a resolução dos conflitos.

É nisso que eu acredito. Na paz, na união de todos os homens, caminhando de mãos dadas em direção ao mesmo Deus.

Nós (baha’is e esperantistas) são muito poucos no mundo, nossa voz quando não se faz ouvir. Não buscamos converter ninguém, ao contrário, queremos fazer dos cristãos melhores cristãos, dos judeus melhores judeus, etc.

Enquanto você escreve tantas acusações, meus irmãos de fé são agredidos, mortos e privados de seus direitos mais básicos no Irã. E outros, ao redor do mundo, gastam a maior parte do seu tempo ensinando crianças e jovens sobre respeito, civismo e amor ao próximo. Pense nessas pessoas quando essas ideias brotarem de novo na sua cabeça

Que a paz esteja com você!”